A argila para ela é começo, meio e fim.
Seus objetos e seres cerâmicos têm vida própria. Um mesmo motivo pode nos remeter a diferentes universos, basta um ajuste de escala na percepção. Volume e forma possuem função prática e plástica, sem decorativismos.
Servem de desafio/drible/diálogo com a força/fúria do fogo, para manter a precisão de suas linhas e a planeza de suas superfícies, pois neles oculta estratégias construtivas - sua engenharia cerâmica. São descobertas, invenções, que ela usa como que em busca de um poder também oculto, mágico, que, para além de tudo, possa resultar em fala ce
râmica, em poesia. Subjacente à matéria e aos processos cerâmicos, prevalece a idéia de construir.
Sua experiência, além de fecunda, é instrutiva: aponta para modos diferentes de encontro da cerâmica com a pintura. No plano concreto da matéria, a argila será a protagonista do acontecimento plástico, jamais ocupará papel secundário: contudo, no plano abstrato de suas motivações/obsessões, a pintura poderá reinar absoluta, submetendo a artista à dedicação compulsiva por anos a fio.
A ligação com a vida é um traço desta arte milenar.
Afinal, nenhuma linguagem plástica está mais próxima da natureza e do mito da criação do que a cerâmica.
Rosana C. e S. de Oliveira


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